... sendo assim, um pouquinho da parte que mais toca!
“...
Um puro objeto.
Alguém poderia dizer um OBJETO ABSTRATO.
e além
disso
era um POBRE objeto incapaz de realizar qualquer função na vida,
um objeto para ser
descartado.
Um objeto para ser das funções vitais que poderiam salvá-lo.
Um objeto que está
despido, sem função artística!
Um objeto que poderia evocar piedade e afecção.
Este era um
objeto completamente diferente dos outros objetos
…uma cadeira de cozinha.
Um objeto, que
estava completamente esquecido de suas funções vitais, emergiu pela primeira vez na história.
O objeto estava vazio.
Ele tinha que justificar sua existência mais para si mesmo do que para as
circunstâncias estranhas a ele.
[E ao fazer isso, o objeto] revelou sua própria
existência”.
Temos um tal de Gordon Craig considerando a arte do ator com inferioridade. Pois diferente de outras artes (música, artes plásticas), a matéria da interpretação teatral consiste na prórpia existência pessoal do artista, sujeita ao movimento das paixãos e, portanto nada preciso. Comparando o ator com uma supermarionete... Então chega Tadeusz Kantor e bebe dessa fonte!
Ele vem falar da catástrofe humana, da desumanização da figura humana! (não é lindo isso?) Expondo a vulnerabilidade da vida e da arte ele vem acabar com os heróis! (uau!)
E grita aos quatro ventos:
"... não é verdade que o homem moderno é um espírito que tenha vencido o MEDO... não é verdade... o MEDO existe: o medo diante do mundo exterior, o medo diante de nosso destino, diante da morte, diante do desconhecido, o medo diante do NADA, diante do vazio...
Não é verdade que o artista é um herói ou um conquistador audacioso e intrépido como o quer uma LEGENDA convencional... Acreditai em mim, é um HOMEM POBRE, sem armas e sem defesa, que escolheu seu LUGAR face a face com o MEDO."
E assim trasforma o teatro levando-o para longe da linha contínua, e, se contradizendo ou não, traz os happenings, que ao meu ver são o misto da emoção e da técnica fundidos de tal forma que você nem quer mais pensar sobre essa história toda...
"Kantor dobra um lenço branco. Ele o faz com uma precisão absoluta de tempos e ritmos. Não se deve confundir isso com a determinação pontual sobre os fluxos, mas como o desdobrar de paisagens, uma após outras, que Kantor realiza ao dobrar o lençol. E o que ele demonstra, acima de tudo, é o extremo cuidado com o objeto, com o qual o ator coloca-se, cenicamente, em pé de igualdade."
Assim Tadeusz Kantor iguala ator e objeto, vejam só!
E nós diz com as próprias palavras, pedindo para imaginarmos a entrada de “um homem nu que… carrega uma cadeira…", o que de mais belo se pode conseguir um dia:
“...
Um puro objeto.
Alguém poderia dizer um OBJETO ABSTRATO.
e além
disso
era um POBRE objeto incapaz de realizar qualquer função na vida,
um objeto para ser
descartado.
Um objeto para ser das funções vitais que poderiam salvá-lo.
Um objeto que está
despido, sem função artística!
Um objeto que poderia evocar piedade e afecção.
Este era um
objeto completamente diferente dos outros objetos
…uma cadeira de cozinha.
Um objeto, que
estava completamente esquecido de suas funções vitais, emergiu pela primeira vez na história.
O objeto estava vazio.
Ele tinha que justificar sua existência mais para si mesmo do que para as
circunstâncias estranhas a ele.
[E ao fazer isso, o objeto] revelou sua própria
existência”.

Kantor e os objetos...!
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