A moça desceu as escadas. Um cigarro na mão esquerda e o olhar vago de uma mente em fuga. No pico do dia ainda fazia frio. Sentou-se no meio fio. Pessoas passavam em passadas ao mesmo destino: Restaurante Qualquer Coisa, o único que servia mais ou menos comida. “Talvez abrir um restaurante aqui daria uma boa renda”, fragmentos de rajada no olhar vago, entre tantos e tantos outros conectados em desconexões. Janelas do Windows abertas paralelamente sem finalidade, mas desfalcando consideravelmente o desempenho do sistema. A mente trabalha sem cessar. Aos alheios parecia que pensava coisas importantes. Ela possuía a certeza do não. Imitava a máquina. O dia inteiro com as dezenas de janelas abertas, no fim apaga-se fatigada de desimportâncias. Ninguém desconfia. O mundo acredita piamente na produtividade da imagem. No meio fio terminou seu cigarro. “Todas essas bitucas poderiam servir para alguma coisa...” Guarda a bituca no bolso, mas na esquina seguinte lança-a na sarjeta. Continuou como sempre. Segue o dia e segue o sono. Na volta para casa tenta resistir mais um pouco, por fim entrega-se ao cochilo em pé ao invés do livro que carrega na bolsa. “Depois do banho, talvez!” Não dormiu. Nem leu o livro.

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