Muitos acontecimentos num dia, numa semana, num mês, num ano, numa vida. Somos frágeis e o tempo é muito breve, sempre muito breve. As coisas não param de acontecer. O mundo não pára, Cazuza disse milhões de vezes, ou disse uma só vez mas ficou ecoando no mundo que não parou. E o Raulzito apenas sonhou com o dia em que a Terra parou, embalando muitas e muitas noites e dias que recomeçam sem findar, e aquele tal filme de mesmo nome eu nem cheguei a assistir... Inerente, tudo continua aí, acontecendo afobadamente, enquanto a gente fica andando por cordas precipiciais apertando ou diminuindo o passo com a vida, com o mundo, com o tempo, com os acontecimentos – tudo assim ao mesmo tempo. Por vezes tenho a impressão egocêntrica que só a mim que a vida insiste em atropelar, com rolo compressor e tudo, e como num desenho animado eu tenho que pegar um fole e me recompor rapidinho porque o Papa-Léguas não pára.
Agora o que isso tudo tem a ver com o Eugênio Barba e Júlia Varley, não pergunte ao meu racional porque ele deu uma saída e foi procurar o analista (aquele que está passeando na Europa). Sei que “o texto é um tapete que deve voar longe” e a voz de fumaça subindo me levou voando não sei nem para onde. Havia uma imagem linda de uma água subindo, subindo, subindo até o pescoço – não era tão linda assim na descrição, mas me remeteu a sensação da água que me levou embora naquele "exercício xamânico”... e sei lá... misturou tudo, assim como numa batedeira a todo vapor, processando a mulher-batedeira, a Clarice, o Caio, a Hilda, a Nora Boneca, o Dr. Rank, o Lanterna Verde, e tive a certeza que a Alexandra não existe, ou se existe é tão partícula da partícula que pode ser tudo e tudo pode se nada. Sempre nada e tudo, tudo e nada.
A perda da identidade individual pode ser um ganho no processo de identidade coletiva e vice e versa, li isso em algum lugar que nem lembro, mas era algo a ver com o todos somos um... Dizem que a poluição informacional também existe, e a sensação é que viver na ignorância pode ser um meio de vida muita mais saudável e feliz. “Somos como bois marcados pela nossa cultura” e estamos cheios, agora como esvaziar ao ponto de abri-se para as novas percepções? Não há tempo para parar e armar uma estratégia (ou talvez até dê, mas sempre no estilo Coiote de ir a luta), não dá para chegar na papelaria da esquina e pedir a substituição do cérebro por um em branco, não dá ignorar a vida até ela ficar de bem com você, não dá para fazer um porrada de coisas, muito embora a gente viva se auto-enganando que dê. A sensação maior que tenho é que uma hora ou a alma não vai mais caber no corpo, ou se ela estiver pequena demais o corpo não irá querê-la.
Oi Alexandra! Uma vez eu li em algum lugar (não lembro mais onde) que a vida passa depressa porque levamos nossa vida dessa forma! Somos apressados demais, impacientes e instantâneos. Eu acho que faz sentido, isso! Quando tiro férias do trabalho e vou pro meio do mato, fico sem internet, sem celular, sem televisão e o dia rende tanto! Demora a passar... Consigo acordar, comer, cozinhar, plantar, pensa, ouvir e o dia parece inerte!
ResponderExcluir... a alma é grande de mais pro meu corpo, meu querer é grande demais pra minha boca e por ai se segue num ciclo vicioso, numa história sem fim e sem dragão voador.
ResponderExcluir