De olhos abertos, névoa.
De olhos fechados, ácido.
Assim eu conto as horas
desde que o rio verteu
e não houve meio de contê-lo.

Há vermelhidão no céu.
Há escuridão na terra.
A tempestade suja as águas
e fica um amargor por ali.
O vento longe, longe, não silencia.

A água vence suas barreiras.
A terra não sabe do seu fluir.
O rio encontra na margem a terra
e ainda assim não se encontram.
Não cabendo em si viram destruição.

Comentários

  1. As duas primeiras estrofes me trouxeram a idéia da tristeza contida no choro: suas lágrimas e seus motivos...

    A última estrofe fez com que me lembrasse dos textos taoístas, de Lao Tsé, no Tao Te Ching.

    En passant: sempre maravilhosa esta ligação entre o que trazemos na alma e a natureza ao nosso derredor (fonte inesgotável de inspiração).

    Não há limites; tudo continua por entre esses dois mundos, num vai-e-vem incessante...

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  2. Lindo poema, Alexandra!
    Onde há destruição, há criação! Ordem e caos! Todas as polaridades se completam de alguma forama!
    Bjs

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Engenhe sobre o engenho! ;)